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II ENCONTRO NACIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO MINISTÉRIO PÚBLICO
NOTA SOBRE O EVENTO QUE TEVE A PARTICIPAÇÃO DE
REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ
Possuímos em nosso
quadro de servidores 10 assistentes sociais que estão lotados na
capital, a maioria em Centros de Apoio, havendo ainda os que são
lotados no Juizado Especial Criminal, Departamento de Recursos Humanos
e Varas de Família.
São eles (ordem
alfabética): Clarice Metzner, Denise Ratmann Arruda Colin, Heloise
Elaine Pereira, Júlia Del Valle Manez, Marco Antonio da Rocha, Marco
Aurélio Afornali, Roselene Sonda, Rosilene de Fátima Pollis, Sandra
Mancino e Sônia Mara de Castro.
As atribuições dos
assistentes sociais da carreira estão regulamentadas em Resolução,
sendo que dentre elas se podem destacar as seguintes:
Prestar assistência e orientação no âmbito social, a
indivíduos e famílias carentes, identificando suas necessidades e os
recursos que possam viabilizar a defesa dos direitos constitucionais;
Prestar assessoria de apoio aos movimentos sociais
básicos, com vistas ao exercício da defesa dos direitos civis,
políticos e sociais da coletividade;
Elaborar material de apoio técnico destinado aos órgãos de
execução do Ministério Público bem como às entidades governamentais e
não-governamentais.
Ministrar palestras em encontros, conferências, cursos e
outros, relativas às matérias da competência de seu cargo;
Auxiliar a Promotoria de Justiça efetuando levantamento de
dados relativos à situação psicossocial dos menores e famílias
envolvidas em processos; etc.
Cuida-se de um corpo
de profissionais que pode dar e que dá uma contribuição importante,
mas que ainda pode ser mais bem dimensionada e utilizada,
principalmente quando analisamos que as áreas de conhecimento sempre
mais e mais se interligam num espaço de transdisciplinaridade e
multidisciplinaridade.
A Assistente Social
Clarice Metzner, lotada no CAOP da Proteção à Saúde, foi ao II
Encontro Nacional do Serviço Social no Ministério Público, que se
realizou em Brasília/DF, de 28 a 30 de maio do corrente ano, e fez o
Relatório do Evento, o qual se encontra na seqüência e permanecerá
disponível na página do CEAF, no link Notícias. É importante destacar
que, pela programação, cuidou-se de evento de inegável qualidade
técnica e que estas reuniões com os assistentes sociais, visam uma
integração entre os serviços auxiliares do Ministério Público, para,
no caso específico dos e das assistentes sociais, vir a ser encontrada
a identidade nacional.
Este é, aliás, um
desiderato que se estende de alguma maneira para a própria função
ministerial, para os próprios membros, num trabalho já em curso em
sede nacional com vistas à organização do Ministério Público para o
desempenho das atividades fins.
Além do Relatório
apresentado a referida Assistente Social que foi ao II Encontro
Nacional comprometeu-se a repassar o conteúdo em um encontro local com
servidores, cuja data ainda será designada e que poderá ocorrer no
próprio auditório da Procuradoria Geral de Justiça.
O aperfeiçoamento de
todos os integrantes da carreira quer sejam membros, como servidores
ou os auxiliares tem que ser uma preocupação constante e isso se faz
pelo estímulo à participação em eventos, cursos, congressos, cujo
conteúdo tenha uma vinculação à atuação funcional e serviços
auxiliares que se revelam de grande importância, como também pela
divulgação conhecimento novo que é trazido e que de alguma forma
sempre contribui para o aprimoramento institucional em benefício da
coletividade.
Curitiba, 1º de
julho de 2008.
Samia Saad Gallotti
Bonavides – Procuradora de Justiça e
Coordenadora do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional
II ENCONTRO
NACIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO MINISTÉRIO PÚBLICO (II ENSSMP)
BRASÍLIA/DF – 28
A 30 DE MAIO DE 2008
RELATÓRIO DE
PARTICIPAÇÃO
O presente relatório
trata da participação da assistente social Clarice Metzner, lotada no
Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção à Saúde
Pública no II ENCONTRO NACIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO MINISTÉRIO
PÚBLICO.
O evento reuniu
aproximadamente 70 assistentes sociais e estagiários de Serviço
Social, lotados nos diversos estados da federação (Ministério Público
Estadual e Federal).
A coordenação do
Encontro disponibilizará relatório oficial por meio eletrônico, na
página oficial (http://www.mpdft.gov.br/senss/),
contendo os trabalhos apresentados, material dos palestrantes,
propostas e total de participantes por estado.
A seguir, serão
apresentadas anotações registradas por esta assistente social durante
as palestras e debates, nas quais se procurou manter a fidedignidade
aos conteúdos expressos.
Na primeira parte
incluímos também, texto reproduzido na página eletrônica do Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios por ocasião da cobertura da
assessoria de imprensa ao Encontro.
Comprometemo-nos a
enviar, tão logo seja divulgado, relatório completo e oficial, que
independente deste meio, será enviado pela Coordenação do II ENSSMP
todos os Procuradores-Gerais de Justiça.
Programação do II
ENSSMP
1º DIA 28/05/08 4ª feira - Auditório do Ed. Sede do
MPDFT
Manhã – Ed. Sede do MPDFT
-
8h -
Credenciamento
-
9h - Hino Nacional
-
9h30 - Abertura
oficial – Mesa:
PGR, PGJ, PFDC, Presidente do CFESS, Presidente do CRESS 8ª Região,
Comissão Organizadora
-
10h30 - Início dos
Trabalhos –
Mesa redonda: “Interdisciplinaridade e a Promoção da Justiça”
•
Exibição do documentário: À margem do corpo •
-
Mediador:
Dr.
Dênio Augusto de Oliveira Moura – Assessoria de Política
Institucional
-
Profª. Drª.
Debora Diniz – Antropóloga, Universidade de Brasília
-
Drª. Márcia
Souza de Almeida – Promotora de Justiça, Ministério Público do
Estado de Goiás
-
Prof. Dr.
Eduardo Mourão Vasconcelos – Psicólogo, Universidade Federal do
Rio de Janeiro
-
12h30 - Almoço
Tarde
-
14h - Resultados
do I ENSSMP
Comissão organizadora do I ENSSMP
Comissão organizadora do II ENSSMP
-
15h - Mesa
Redonda: “Olhar Multidisciplinar sobre o Serviço Social no MP”
-
Mediadora:
Drª. Lais Cerqueira Silva – Núcleo de Enfrentamento
à Discriminação, Núcleo de Gênero Pró-Mulher e Núcleo de
Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra a Criança e
o Adolescente
-
Promotoria de
Justiça da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência – Drª. Sandra
de Oliveira Julião
-
Promotoria de
Justiça de Defesa da Infância e da Juventude – Drª. Luisa de
Marillac Xavier dos Passos Pantoja
-
Promotoria de
Justiça de Família – Drª. Sandra de Albuquerque Beze
-
Central de
Medidas Alternativas – Drª. Adriana Sette Rocha de Menezes
-
Secretaria de
Serviços Integrados de Saúde do MPF – Dr. Adérito Guedes da Cruz
Filho
-
16h40 - Intervalo
-
17h - Palestra:
“Saber Profissional e Espaço Institucional”
Prof. Dr. Vicente de Paula Faleiros – Assistente Social,
Universidade Católica de Brasília
2º DIA 29/05/08 – 5ª feira - Parlamundi - LBV
Manhã
-
8h30 - Palestra:
“A Instrumentalidade do Serviço Social”
Profª Drª. Yolanda Guerra – Assistente Social, Universidade Federal
do Rio de Janeiro
-
10h - Intervalo
-
10h30 - Mesa
Redonda: “A Práxis do Serviço Social no Ministério Público”
-
Intervenção do
Serviço Social no Ministério Público: Instrumentalidade e Questões
de Gênero - Daniele Beatriz Manfrini (Assistente Social do MPSC)
-
Crianças e
Adolescentes autores de ato infracional: em conflito com a lei e
com a escola - Gizelly Rodrigues (Assistente Social do MPSC)
-
A atuação do
Núcleo de Perícia Social do MPDFT junto aos casos de Interdição:
uma abordagem teórico-prática. - Kelly Borges Barbi, Max Meirelles
Gonzaga e Vanessa de Sousa Nascimento (Estagiários de Serviço
Social do MPDFT)
-
Conhecendo o
Serviço Social no Ministério Público: levantamento da realidade do
Rio de Janeiro - Márcia Nogueira da Silva e Anália dos Santos
Silva (Assistentes Sociais do MPRJ)
-
13h - Almoço
Tarde
3º DIA 30/05/2008 – 6ª feira
Manhã
Tarde
DIA 28/05
Abertura:
Procuradora-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios em
exercício, Maria Aparecida Donati Barbosa.
Promotor de Justiça e Assessor de Políticas Institucionais do MPDFT,
Dênio Augusto de Oliveira Moura
Presidente do Conselho Federal de Serviço Social, Ivanete Salete
Boschetti,
Presidente do Conselho Regional do Serviço Social. Fernanda da Silva
Fernandes,
Coordenadora do II ENSSMP, assistente social Karolina Vanessa Varjão
A
abertura do II Encontro Nacional do Serviço Social no Ministério
Público foi realizada com a presença da Procuradora-Geral de Justiça
do Distrito Federal e Territórios em exercício, Maria Aparecida Donati
Barbosa. Em seu discurso, a Procuradora-Geral ressaltou que são vastas
as atribuições do Ministério Público e que, diante das demandas
sociais, familiares e de políticas públicas, tornou-se fundamental a
assessoria do profissional de serviço social para construir e
implementar as políticas públicas.
Para a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Gilda Pereira de
Carvalho, a troca de experiências, durante o encontro, mostrará de que
forma poderão os assistentes sociais colaborar com a missão do
Ministério Público, na defesa dos direitos difusos e coletivos.
Já o Promotor de Justiça e Assessor de Políticas Institucionais do
MPDFT, Dênio Augusto de Oliveira Moura, destacou a importância do
trabalho do assistente social junto aos Promotores de Justiça para
orientar medidas jurídicas cabíveis, considerando os aspectos sociais
envolvidos. Também ressaltou a importância em sistematizar a
contribuição do Serviço Social no Ministério Público.
A
Presidente do Conselho Federal de Serviço Social, Ivanete Salete
Boschetti, ressaltou que o assistente social tem um papel fundamental
na elaboração, na construção e na implantação de políticas públicas de
defesa dos direitos. “Estamos há 71 anos trabalhando no Brasil, em
luta pela inserção de saúde pública, de assistência a pessoas com
deficiência, aos idosos, às crianças e adolescentes.” Falou do
trabalho do assistente social em equipe multidisciplinar e da
importância do reconhecimento das atribuições privativas e da
especificidade da atuação de cada profissional na equipe.
A
ampliação e o fortalecimento da função do assistente social,
regulamentada há mais de 50 anos, foi o tema da fala de Fernanda da
Silva Fernandes, Presidente do Conselho Regional do Serviço Social. De
acordo com ela, este ano, o conselho instituiu uma comissão para
discutir estratégias que fortaleçam a atuação profissional: jornada de
trabalho, supervisão de estágio, formação profissional, exame de
proficiência, dentre outros.
Segundo a coordenadora do evento, Karolina Vanessa Varjão, o Encontro
foi promovido com o objetivo de concretizar os princípios do Código de
Ética do Serviço Social. “Temos um compromisso com a qualidade dos
serviços prestados à população.” Lembrou que o aprimoramento
profissional também consta no Código de Ética e que os assistentes
sociais que atuam no Ministério Público têm uma inserção privilegiada,
uma vez que os princípios e diretrizes do Código tem vinculação com a
missão institucional do Ministério Público.
Mesa Redonda: Mesa
Redonda: “Olhar Multidisciplinar sobre o Serviço Social no MP” com
apresentação do documentário “À margem do corpo”
Em seguida, os participantes assistiram ao documentário À margem do
corpo, dirigido pela antropóloga e pesquisadora Débora Diniz. Ele
conta a história de Deuseli Vanines que, em 1995, no interior de
Goiás, foi vítima de estupro, engravidou e não conseguiu interromper a
gravidez, por mais que a Lei lhe assegurasse o direito. A Promotora de
Justiça responsável pelo caso, Márcia Souza de Almeida, conseguiu a
autorização judicial necessária e procurou inúmeros médicos na busca
de alguém que aceitasse realizar o aborto legal. Não obteve sucesso.
Todos alegavam ter direito à cláusula de consciência.
Depois do estupro, Deuseli desenvolveu um quadro de epilepsia e
desequilíbrio psiquiátrico. Acabou matando a filha de onze meses
afogada em uma banheira. Ao mesmo tempo que religiosos diziam
tratar-se de possessão demoníaca (versão usada pela advogada que a
defendeu), psicólogos e organização de Direitos Humanos defendiam que
o quadro era patológico. No cenário de conflito, Deuseli foi julgada e
condenada. Na cadeia, teve outro bebê (que foi entregue para adoção).
Naquela época, já apresentava um quadro de transtorno mental grave.
Durante o quinto mês da terceira gestação, morreu numa UTI hospitalar.
Intervenção dos convidados:
Depois da exibição do documentário, a Promotora de Justiça que atuou
no caso apresentou detalhes, lembrando dos momentos em que Deuseli a
procurou para pedir ajuda. Para ela, a história da moça parecia
ficção, mas acontecia na realidade. Surpreendentemente, a lei que lhe
era tão real, tornou-se uma completa ficção. Um médico chegou a
sugerir à Promotora que procurasse uma clínica de aborto ilegal
porque, daquele jeito (o legal), ninguém aceitaria fazer. “Deuseli
sofreu todas as exclusões possíveis: não teve família, foi criada por
uma pessoa que bebia e a agredia, fugiu para trabalhar como doméstica.
Foi excluída pelo Estado, pela Justiça. Foi excluída por ser negra,
por ser pobre”, contou.
Destaques: A Promotora de Justiça fez mais algumas reflexões:
:“como uma pessoa em situação de vulnerabilidade pode ter os rumos de
sua vida modificados”.
“pensei que a história pudesse ser uma ficção e vi que naquela
situação, a Lei era uma ficção”.
O
caso de Deuseli alimentou a discussão sobre a necessidade de ter
equipes multidisciplinares atuando em um programa bem estruturado de
aborto legal nos estados brasileiros. Foi o psicólogo e professor da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eduardo Vasconcelos, quem
continuou o debate, apresentando resultado de pesquisas sobre os
conceitos como os de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.
Também tratou das tensões que surgem quando a equipe é
multidisciplinar e os paradigmas das diferentes disciplinas são muito
diferentes. Definiu práticas multi, pluri, pluri-auxiliares e
interdisciplinares. Também teceu considerações e apontou falhas no
caso Deuseli.
Destaques:
O
professor, ao definir conceitos de multi, pluri, inter e trans
disciplinares, trouxe também o conceito de equipes
pluri-multidisciplinares, onde funciona um sistema em dois níveis, a
coordenação e os objetivos são homogeneizados pelo campo de saber
encampador.
Sobre as implicações do Serviço Social no Ministério Público:
-
é a profissão que tem maior tradição de trabalho intersetorial; e tem
um projeto ético-político avançado bem delineado no seu Código de
Ética.
Levantou, entre outros, os seguintes questionamentos:
-
o Ministério Público estaria preparado para o desafio da
interdisciplinaridade? Como é o reconhecimento da presença do Serviço
social, de outras profissões e de seus paradigmas no organograma e na
estrutura do Ministério Público?
-
Há outras possibilidades de pensar a presença das demais profissões
para além das práticas pluri-auxiliares?
-
O mandato legal e institucional do direito impediria o fato de
qualquer outra forma de interlocução mais vigorosa? Haveria espaço nas
normas?
Resultados do I ENSS:
Apresentação do resumo do relatório do I Encontro, realizado em 2006,
em Porto Alegre, pelas assistentes sociais do Ministério Público do
Rio Grande do Sul
Mesa Redonda:
“Olhar Multidisciplinar sobre o Serviço Social no MP”
-
Mediadora:
Drª. Lais Cerqueira Silva – Núcleo de Enfrentamento
à Discriminação, Núcleo de Gênero Pró-Mulher e Núcleo de
Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra a Criança e
o Adolescente
-
Promotoria de
Justiça da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência – Drª. Sandra
de Oliveira Julião
-
Promotoria de
Justiça de Defesa da Infância e da Juventude – Drª. Luisa de
Marillac Xavier dos Passos Pantoja
-
Promotoria de
Justiça de Família – Drª. Sandra de Albuquerque Beze
-
Central de
Medidas Alternativas – Drª. Adriana Sette Rocha de Menezes
-
Secretaria de
Serviços Integrados de Saúde do MPF – Dr. Adérito Guedes da Cruz
Filho
Destaques das experiências:
- Ministério Público
não mais focado exclusivamente na figura do Promotor de Justiça, mas
na equipe, e trabalho desenvolvido para a sociedade.
- O trabalho do
Promotor de Justiça vem sendo definido em reuniões conjuntas com a
equipe interdisciplinar, onde são discutidas as estratégias de
atuação.
- O Promotor de
Justiça “está à frente (do Ministério Público) por dispositivo legal,
mas não significa acima”.
- A formação do
Promotor de Justiça (Direito) é elitista.
-Desafio:
compreender a necessidade da horizontalidade e da
interdisciplinaridade pressupõe diálogo e trânsito das várias
linguagens profissionais e dialogar pressupõe interação.
- Necessidade de
estar atento para a “colonização” dos diversos saberes pelo Direito.
-Estamos num momento
de mudança de paradigmas, devemos trazer a solução para os conflitos.
-Importância da
utilização dos instrumentais criados pela equipe interdisciplinar.
- Um dos papéis do
serviço social é identificar situações que necessitem intervenções ou
onde haja direitos não cumpridos.
- O Ministério
Público não deveria criar serviços substitutivos ao Poder Executivo,
mas fiscalizar as políticas públicas e promover a defesa do regime
democrático.
- Uma estratégia é
evitar o re-serviço, mas contar com parceiros no trabalho (rede
social).
-A mudança de
paradigmas é difícil porque somos forjados institucionalmente a pensar
que Ministério Público é apenas o Promotor de Justiça.
Palestra: “Saber
Profissional e Espaço Institucional”
Prof. Dr. Vicente
de Paula Faleiros – Assistente Social, Universidade Católica de
Brasília
O palestrante falou
sobre a correlação de forças e o serviço social, concluindo que “numa
sociedade desigual, propõe-se a articulação do cuidado com a defesa de
direitos, tendo em conta e levando em conta as pessoas, para dar conta
das exigências institucionais e das mudanças sociais no processo
complexo das condições existentes e das forças em presença.”
DIA 29/05
Palestra: “A
Instrumentalidade do Serviço Social”
A
instrumentalidade só é possível quando se pensa o serviço social, é a
possibilidade da profissão alcançar determinados objetivos, calcados
no projeto ético-político profissional.
- São necessários
meios e condições de trabalho.
- Condições
objetivas e subjetivas ( quem é o assistente social que vai intervir).
- Transformar
mediações em condições efetivas de trabalho. As mediações são
categorias ontológicas e potencializadas por meio da nossa
intencionalidade.
- O Ministério
Público é uma instância de mediação.
- Problema: com qual
concepção de serviço social estou trabalhando?
- Serviço social
como profissão hegemônica, inserido na divisão social e técnica do
trabalho, possui um espaço próprio (particular, não específico nem
exclusivo);
- Numa sociedade de
classes, há tensões, logo, são necessários profissionais para atuar.
Onde? Numa sociedade com interesses antagônicos (mas não diferentes).
- Conforme Netto e
Yamamoto, o assistente social atua nas seqüelas da questão social, no
conjunto de necessidades que surgem da tensão (exemplo: nas
necessidades de saúde, há demandas diferentes, para profissionais
diferentes)
- Para o assistente
social, são as demandas de acesso a bens e serviços (intervenção no
campo minado das relações sociais, produção e reprodução)
- O serviço social é
uma profissão com natureza interventiva que também produz
conhecimentos e existe porque existe uma relação tensionada entre
capital e trabalho;
- Quando e onde o
serviço social atua? Nos vários espaços sócio-ocupacionais.
- Como? De acordo
com a demanda institucional. Depende como interpreta a demanda e como
a reconfigura. A demanda espontânea é aparente e nem sempre é a
demanda real. O profissional deve olhar a demanda da Instituição e
adequá-la à demanda do serviço social.
- Por um lado,
resolutividade imediata, mas com a atuação que potencialize as forças
postas na situação e que o sujeito comece a se emancipar em relação ao
espaço/direito que lhe é devido;
- O serviço social
no Ministério Público é novo, ainda há pouca reflexão e sistematização
da prática.
- A profissão
utiliza o instrumento do método de conhecimento da realidade, e tem a
pesquisa da realidade como algo inerente.
- O método: sair da
aparência para a essência e então definir as estratégias de
intervenção.
- Conhecimento da
realidade.
- O cotidiano nos
convoca a dar um tipo de resposta, tem possibilidades, mas também,
limitações (referência em Luckás: crítica ontológica do cotidiano).
- Serviço Social –
prática política para atuar nas relações conflituosas da sociedade, na
coerção e no consenso e para isso, tem relativa autonomia;
- Consciência para
refletir sobre o real e nós refletirmos sobre nossa consciência.
Pensar no papel da teoria e no enriquecimento da instrumentalidade.
- Os instrumentos
têm objetivos. Por exemplo, a visita domiciliar tem um sentido, a
entrevista também. Conhecer as propriedades de cada instrumento, dar
direção tendo clara nossa finalidade (nos planos de trabalho, na
análise institucional, na pesquisa, nos relatórios).
- Pensar com criar
espaços para discussão em equipe, encontros entre outros.
- A
instrumentalidade é condição de ser do serviço social, é construída no
processo e nas relações de trabalho. A construção tem a ver com o
espaço sócio-ocupacional no qual o assistente social está inserido.
- Lidar com as
questões de subalternidade, que é inerente a própria história da
profissão.
- O Ministério
Público não executa a Política social, mas sem conhecer a legislação
inerente a ela, não exerço minhas atribuições.
- Devemos demonstrar
competências, necessidade de se ter estratégias. As respostas dependem
de uma análise correta da Instituição.
- Hoje se tem um
avanço do neoconservadorismo. Há que se ter cuidado com o discurso dos
direitos, que muitas vezes acaba sendo uma válvula de escape. Apenas o
discurso, despolitiza, pois pode dar a impressão do dever cumprido.
Devemos trazer a sensação de pertencimento dos que estão
vulnerabilizados.
-O instrumental do
serviço social não é próprio (exclusivo) da profissão, mas tem um modo
próprio de utilizar.
Mesa Redonda: “A
Práxis do Serviço Social no Ministério Público”
O conteúdo dos
trabalhos será disponibilizado no relatório oficial do Encontro.
Oficinas de trabalho: “A Instrumentalidade do Serviço
Social no MP”
O conteúdo das
apresentações será disponibilizado no relatório final do Encontro.
Plenária final
O conteúdo das
apresentações será disponibilizado no relatório final do Encontro.
Os debates na
plenária final e as propostas a serem implementadas resultaram das
discussões nas diversas oficinas temáticas e das reflexões que
ocorreram durante os três dias.
Igualmente ao I
ENSSMP, concluiu-se que o Serviço Social é uma profissão ainda nova no
Ministério Público, que tem o número de profissionais aumentado a cada
dia, que o debate sobre a sua identidade, a unificação do discurso e
práticas da profissão deve acontecer envolvendo a todos inseridos
neste espaço sócio-ocupacional, o que reforça a necessidade de
Encontros desta natureza. Esta dinâmica, onde reflexão, construção
teórica e troca de experiências caminham juntas, fará com que se vá
delineando a inserção da profissão, na perspectiva da
interdisciplinaridade, com vistas ao cumprimento do seu Código de
Ética e da missão institucional do Ministério Público, notadamente na
defesa dos direitos sociais e na ampliação da democracia.
Por fim, ficou
definido que o III Encontro Nacional do Serviço Social no Ministério
Público será em 2010, em Belo Horizonte, com o tema: “O
processo de trabalho do Serviço Social no Ministério Publico -
atribuições, condições de trabalho, desafios e perspectivas”.
Curitiba, 16 de
junho de 2008.
Clarice Metzner
Assistente Social
CRESS nº 3120 -11ª
Região
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