Íntegra do discurso
de despedida do cargo do procurador Milton Riquelme de Macedo
SENHORAS E SENHORES,
dignas autoridades, nobres colegas:
Neste significativo momento,
para mim tão especial, cumpre-me, acima e antes de tudo, render graças ao
bom Deus por me haver permitido exercer, o dignificante cargo de
Procurador-Geral de Justiça do Estado do Paraná – com o qual fui honrado
por dois mandatos consecutivos –,e que, hoje, nesta solenidade de
transmissão e posse, se extingue.
Em seguida, dirigindo-me aos
meus insignes compartes no cotidiano da Administração – e queridíssimos
amigos no particular de nossas vidas –, não encontro palavras que
expressem, de forma plena meu profundo agradecimento.
Juntos começamos e, pois,
unidos tanto nas horas de júbilo como nas dificuldades enfrentadas,
juntos encerramos esse quadriênio de mandato frente à Instituição.
A Suas Excelências, os Drs.
LUIZ EDUARDO TRIGO RONCAGLIO e VALÉRIO VANHONI, que ocuparam,
sucessivamente, a função de Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos
Jurídicos, creditam-se os mais relevantes serviços unanimemente
proclamados em prol da Instituição Ministerial. Em nosso aprazível período
de convívio diário pude sentir o quanto a solidariedade, o propósito de
manter harmonia entre colegas, a serenidade, a tolerância, a vontade firme
sob o domínio de lúcida inteligência e o culto ao Direito hão de
constituir indeléveis atributos inscritos nas biografias de cada qual.
Nos meus fraternos companheiros
de todas as horas, Procuradores de Justiça JOSÉ CARLOS DANTAS PIMENTEL
JÚNIOR e JOÃO CARLOS MADUREIRA, que ocuparam, as espinhosas e difíceis
funções de Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Administrativos e
de Diretor-Geral e Diretor-Secretário, vi, em ambos, solidamente aferrados
tanto o desprendimento próprio dos homens de coragem quanto o criterioso
equilíbrio tão necessário aos gestores da coisa pública. Bem conduziram
suas funções de forma a imprimir, com muito do sacrifício que o enxuto
orçamento permitiu, significativas melhorias estruturais em nossa
Instituição. Suas ações não se desdobraram com alarde, mas nem por isso,
ou antes, bem mesmo por isso, seguramente maior será a duração de
seus frutos.
São também
merecedores das mais airosas referências, em função da soma de seus
méritos, os meus Chefes de Gabinete, Drs. CLAYTON MARANHÃO e Dra.
ÂNGELA KHURY MUNHOZ DA ROCHA, os meus Assessores processuais e de
planejamento, Drs. ARMANDO ANTONIO SOBREIRO NETO, COLMAR JOSÉ RIBEIRO
CAMPOS, DOMINGOS THADEU RIBEIRO DA FONSECA, EDSON PETERS, GUILHERME DE
ALBUQUERQUE MARANHÃO SOBRINHO, HENRIQUE CÉSAR ALVES CLETO, PAULO JOSÉ
KESSLER e PAULO CESAR BUSATO, e a ilustre Secretária do eg. Conselho
Superior, Dra. MARÍLIA VIEIRA FREDERICO ABDO. Cumpre-me, pois,
fazer menção à admirável capacidade de trabalho e a permanente dedicação e
reta conduta que os
distingue, sempre evidenciadas a par da notável formação jurídica de todos
eles. Aqui também uma referência especial à minha mulher e também
Promotora de Justiça Jacqueline Batisti, presente em todos os momentos,
sempre com a força positiva de sua carismática personalidade, bem como a
todos os meus familiares pelo apoio e compreensão durante esta jornada.
Menção
especial com as
homenagens e agradecimentos da Instituição, aos eminentes Procuradores de
Justiça SÉRGIO LUIZ KUKINA e LUIS RENATO SCROK ANDRETTA e a toda
equipe, dos setores de Recursos Especial e Extraordinário Cível e
Criminal, que com extrema dedicação e competência alçaram o Ministério
Público do Paraná em elevado plano em produção e resultados obtidos junto
aos Tribunais Superiores.
Quero, enfim, consignar meus
imperecíveis agradecimentos a todos e cada um dos apreciadíssimos colegas
de Ministério Público e aos estimados Servidores de nosso quadro, não só
pela confiança de que me fizeram depositário, senão também pelo constante
apoio e serena compreensão que entre nós reinou no decurso desse período,
notadamente no momento em que vivenciamos marola própria de um regime
democrático no qual é natural a existência de conflitos de idéias e
opiniões.
Registro, foi muito graças a
essa sentida e vivenciada comunhão Institucional que pude alcançar este
ponto marcante sem cisões internas, posto que as dissonâncias havidas
foram todas plenamente debatidas e superadas.
Cabe, assim, pleito de respeito e
gratidão ao Egrégio Colégio de Procuradores de Justiça e a todos os
ilustres Promotores de Justiça que abrilhantam nosso parquet com as
suas luzes de saber e cultura. Com Justiça, foi essa calorosa unidade,
afinal de contas, que me serviu de motriz e constante estímulo para o
desempenho cabal das minhas funções.
De efeito, sempre guiado pelo
respeito à dignidade da pessoa humana, fiz da Procuradoria-Geral de
Justiça, quanto pude, um proscênio de amplo debate democrático, aspirando,
sempre, a concretização dos anseios de cidadania preconizados em nossa
ordem Constitucional.
Busquei na unidade Institucional
um contra-forte voltado à edificação de um Ministério Público altivo e
cada vez mais presente em sua sublime missão de Defensor do Povo, servindo
de anteparo, assim, às cruentas injustiças vivenciadas em nossa realidade
social.
Durante minha gestão, o respeito dedicado pelo Ministério Público aos
Poderes Constituídos assinalou o marcante traço de cordialidade que
consagra o relacionamento entre todos os quantos compõem a organização
social e política do Estado, engrenagens indissociáveis de um mesmo
aparelhamento destinado à realização do bem-estar comum.
Nada obstante, sempre e quando necessário resistimos, com brio, vigor, e
serenidade a todos os eventuais desatinos e as investidas contra a
instituição que, de onde quer que tenham vindo e sob o manto que fosse,
em vão buscaram tolher-nos em cercados de indignidade.
Eis aí a indeclinável razão justificante para que estabelecêssemos um
diálogo permanente, como o fizemos, sem que isso jamais tenha importado em
capitulação – bem entendido.
Prática salutar revertida em proveito de todos, foi a partir do diálogo
que promovemos o confronto de idéias, fomentamos a defesa de políticas
diversas e abrimos espaços à pluralidade de opiniões, tudo desde quando
preservadas a integridade e a independência política, funcional e
administrativa do Ministério Público, como Instituição investida de
significativa parcela da soberania do Estado — garantias, aliás,
pertencentes e delegadas pela própria sociedade organizada, titular e
exclusiva destinatária das nossas ações.
Isso em mente, a ocasião
presente revela-se de enorme importância para as Instituições
comprometidas com a distribuição da Justiça Social, para todos os Poderes
constituídos, e, naturalmente, para a sociedade como um todo. Compreende,
é óbvio, uma boa liga entre povo e órgãos do Governo, entre cidadãos de
todas as camadas, autoridades, funcionários dos diversos segmentos; enfim,
de todas as matizes pulsantes na vida pública e no mundo social. Em suma,
justificado é tomar-se isso tudo “por uma justiça de feição humana”
– como se proclamou na Bélgica, por ocasião do 10.º Aniversário do Código
Judiciário daquele país (nos idos de 1977).
Aí está um propósito adotado e
perpetuado no seio de povos desenvolvidos. Sim, só com essa meta, de
construir-se “uma justiça de feição humana” a imperar nos escalões
empenhados com o remodelamento social é que pode um povo alçar altos vôos
com vistas a uma boa qualidade de vida a partir de um suporte intelectual
capaz de render saúde, educação, segurança, produtividade, energia sob
todos os pontos de vista, e mais tudo quanto se sujeita à eficácia da
Guardiã cujo símbolo, representado por uma balança e espada, constitui
garantia de equilíbrio na relação de direitos e deveres, e claro, no
Direito em ação – quando conflitantes.
Dito isto, Senhores, é-me permitido, neste ponto, traçar um singelo
panorama da política institucional implementada no decorrer do último
quadriênio, - anunciando que, por brevidade, o Relatório completo e
detalhado contendo dados sobre cada atividade institucional,
administrativa e orçamentária desenvolvida na gestão está disponibilizado
a todos os interessados no site do Ministério Público do Paraná.
SENHORAS E SENHORES:
Com esta visão, buscando construir um Ministério Público que represente
um instrumento voltado para a defesa intransigente dos interesses
fundamentais da sociedade, sobretudo daquela camada mais carente é que
tomamos várias iniciativas visando nos aproximar e mais,
verdadeiramente abrir as portas das Instituição para os menos
favorecidos.
Nessa senda, criamos a Ouvidoria-Geral do Ministério Público, através da
Lei Complementar Estadual n° 117 de 14 de fevereiro de 2007, a qual se
constitui em espaço aberto para o exercício da cidadania e dá voz ativa às
manifestações da população, sempre com a finalidade de aproximá-la do
Ministério Público, que vem sendo conduzida de forma competente e
entusiasmada pelo Procurador de Justiça Wanderley Batista da Silva, ao
qual rendemos nossas sinceras homenagens.
Também de cunho altamente social instituímos o Centro de Apoio Operacional
às Comunidades Indígenas, e preservadas as atribuições reservadas ao
Ministério Público Federal, passamos a agir na defesa dos interesses dos
indígenas nas questões referentes à saúde, educação e moradia, entre
outras, valendo destacar como exemplo recente iniciativa compartilhada com
o Governo do Estado, através da Cohapar, onde se ajustou a construção de
conjunto de moradias para uso dos indígenas na aldeia ARAÇAI, em Piraquara.
Atentos à premissa de que os recursos públicos para o fomento de toda essa
grade de apoio social, precisam ser preservados é que, além da forte ação
do Ministério Público no combate à corrupção, Coordenada pelo Centro de
Apoio de Defesa do Patrimônio Público e desenvolvida pelas Promotorias de
Justiça da área, criamos através da Resolução nº 1801/2007, Os
GRUPOS REGIONAIS DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO-
GAECO’s, com sedes nas Comarcas de Curitiba, Londrina, Maringá,
Cascavel, Foz do Iguaçu, instrumento eficaz e adequado para o
enfrentamento do sofisticado mundo do crime organizado.
Imperioso registrar que, na realização do papel que nos é reservado,
sempre na defesa das liberdades públicas constitucionais, norteados pelos
princípios básicos da administração, corolário lógico de nosso regime
político, procuramos pautar nossas atividades sempre pela presteza e a
segurança necessárias, mas antes e acima de tudo, pela indispensável
transparência, que a nosso ver está intrinsecamente ligada à eficácia e à
moralidade de nossos atos, observando-se, como possível, a publicidade.
Mostra disso, a inclusão em nosso sítio na Internet do Relatório de
Execução Orçamentária e Financeira, que espelha a observância do que foi
previamente elaborado e indica onde estão sendo aplicados os recursos
postos à disposição do Ministério Público.
E assim, buscando sempre fazer da transparência a pedra de toque na gestão
da coisa pública é que passamos a transmitir on line as sessões do
Conselho Superior do Ministério Público, órgão vital da Instituição, onde
se definem as matérias de maior relevância da dinâmica interna e também
aquelas que dizem respeito às causas de interesse coletivos e sociais.
SENHORAS e SENHORES: Disse-o o imortal ROBERTO LYRA:
“Idealizo a transformação do
Ministério Público em Ministério Público Social. Um Ministério em ação,
ação mesmo, com fins e também meios próprios contra não só as
ilegalidades, mas, principalmente, contra as injustiças. Assim, o
Ministério Público evoluiria para assumir a responsabilidade daquilo que é
mais significativo na ordem jurídica – a paz social pela justiça social,
tarefa máxima da democracia na atual conjuntura da sociedade”.
Presente tal ensino, voltemos nossos olhos para a silhueta do futuro, onde
se delineia um claro cabedal de esperanças no porvir através de pacientes
labores a serem desenvolvidos nas horas em que o sol nos aquece e
desperta, em cada um de nós, o desejo de ajuda ao próximo sob as bençãos
de Deus. Já mais do que passou da hora, portanto, de arredar-se, vez por
todas, nocivas atitudes sectárias que desalentam e enfraquecem a atuação
Ministerial. É mais que tempo, isto sim, de co-participação e de concórdia
no seio dessa nossa amada Instituição.
Assim, grata é a incumbência que
se me oferece, neste momento solene, para, ao deixar o cargo de
Procurador-Geral de Justiça do Estado do Paraná, manifestar o regozijo
diante dos prognósticos da nova gestão, a qual será plena, por certo, de
realizações edificantes.
NIETZSCHE lançou um facho de luz
na conceituação de meta e caminho, salientando que “muitos são
obstinados em relação ao caminho tomado, poucos em relação à meta”.
Com base nesse sentir, observamos que o novel Procurador-Geral de Justiça
e sua equipe seguirão seus caminhos com seriedade e rumo certo,
enfrentando tudo quanto exigível em grau de sacrifício e operosidade.
É que, para suceder-me na Chefia do Ministério Público, biênio 2008/2010,
assume hoje uma das personalidades mais festejadas do universo jurídico
paranaense, Sua Excelência o Dr. OLYMPIO DE SÁ SOTTO MAIOR NETO.
Sagrado pela expressiva maioria de nossos pares, aclamado pela Assembléia
Legislativa e nomeado pelo Senhor Governador do Estado para exercer, pela
terceira vez, a honrosa função de Procurador-Geral de Justiça, é pessoa de
reconhecida integridade, devotada à causa pública e com exemplar passado
de agente ministerial que põe acima de tudo o cumprimento do dever; em
suma, uma personalidade marcada por destacados e reconhecidos méritos a
par da simplicidade de ser e de agir e do trato cortês.
Tenho absoluta certeza, Dr. OLYMPIO, de que será notável a gestão
durante o mandato que o Ministério Público confiou a Vossa Excelência para
exercício do cargo de Procurador-Geral de Justiça, frente a uma sociedade
progressista como a paranaense, que cresce e se impõe pelo dinamismo
constante de nossa gente, verdadeiros construtores da grandeza desta terra
assim no esplendor do presente como na antevisão de um futuro repleto de
novas e maiores conquistas.
Neste momento solene, todos nós membros do Ministério Público nos
associamos ao Doutor Olympio e seus familiares na lembrança de uma
ausência sentida, que merece todas as nossas homenagens e certamente está
presente no coração e na memória de todos aqueles que como nós a
conheceram e tiveram a ventura de seu convívio. Refiro-me à senhora sua
mãe, Dona Olinda Ruppel Sotto Maior, pessoa dotada de extrema bondade,
especial carisma e energia contagiante, cujo passamento recente nos remete
à concebê-la junto ao Senhor, lançando loas e bênçãos ao seu filho querido
neste momento tão significativo.
A Vossa Excelência, seus queridos familiares e a toda sua equipe, desejo
os mais lídimos triunfos. Deus os ilumine e sempre os proteja, dando-lhes
as forças necessárias à realização plena das funções que os aguardam.
MUITO OBRIGADO.
Milton Riquelme de Macedo